Economia Política da Inteligência Artificial: análise da produção científica sobre a temática nos últimos cinco anos

  • Autor
  • Carlos Robson Souza da Silva
  • Co-autores
  • Helena Martins do Rêgo Barreto , Jonas Chagas Lucio Valente
  • Resumo
  • A Inteligência Artificial vem causando impactos irreversíveis nas relações entre capital e trabalho. Tais impactos surgem na esteira das mudanças marcadas pela reestruturação do capitalismo, de fenômenos como a uberização e precarização do trabalho, da economia de vigilância e de plataformas, da gestão algorítmica da vida e da substituição do trabalho intelectual pelas novas tecnologias digitais (ANTUNES, 2020).
    Os estudos sobre esses impactos podem ser realizados tanto sob a ótica da Economia Política, ou seja, do questionamento do “[...] aspecto social da produção, [das] relações social-produtivas, isto é, econômicas, entre os homens” (ACADEMIA DE CIÊNCIAS DA URSS, 2015, sem paginação, grifo do autor). Como também da Crítica da Economia Política marxista, na qual o centro das atenções está “[...] no processo de desenvolvimento das forças produtivas no âmbito do modo de produção capitalista que tem como resultado, pelas suas características, a agudização da luta de classes” (SANTOS, 2022, p. 603).
    Em ambos os casos, as relações entre Economia Política e Inteligência Artificial ainda está em processo de exploração, sendo um dos primeiros trabalhos publicados no Brasil o estudo realizado por Mendes (2022). Por isso, define-se aqui como objetivo identificar na literatura científica internacional as características da produção científica sobre Economia Política da Inteligência Artificial no período entre 2020-2025.
    Para alcançar o objetivo traçado, desenvolveu-se uma pesquisa básica, exploratória e quanli-quantitativa, em cinco fases: levantamento bibliográfico; filtragem de dados por classificação de resultados; escolha final dos documentos por área do conhecimento; análise do conteúdo dos resultados; e levantamento das principais referências.
    Da primeira fase, recuperou-se um total de 847 artigos. Já da segunda fase, sobraram um total de 529 resultados. Na terceira fase, os artigos foram inicialmente categorizados por palavras-chave no título (evidenciando-se “Human Resource” com 25 ocorrências) e, logo em seguida, classificados por área do conhecimento (sendo a mais proeminente “Saúde” com 168 ocorrências”). Ainda na terceira fase, aplicou-se como critério de inclusão/exclusão a manutenção de artigos condizentes com o escopo desta pesquisa, dividindo-os em dois eixos: 1 – Ciências Sociais, Trabalho e Comunicação (16 artigos) e 2 – Estudos críticos sobre IA (9 artigos).
    Em relação à análise do conteúdo, identificou-se que há na literatura uma diversidade de estudos sobre Inteligência Artificial que tentam trabalhá-la sob uma variedade de perspectivas, destacando-se três: o impacto social da Inteligência Artificial; estudos sobre o trabalho; e questões éticas na relação humano-tecnologia. Além disso, atendendo a fase cinco, tais estudos têm como principais referências obras como “Robots and Jobs” de Acemoglu e Restrepo, “Artificial Intelligence” de Russel e Norvig e “A quarta revolução industrial” de Schwab. Apesar de haver sido um estudo não imersivo, os textos analisados apresentam uma gama de perspectivas críticas que podem dar início a um estudo mais aprofundado sobre a Inteligência Artificial, sua relação com a economia política e também com outras questões sociais contemporâneas como a mediação, a indústria cultural e o trabalho dos profissionais da informação e da comunicação.
  • Palavras-chave
  • Economia Política, Inteligência Artificial, Trabalho
  • Modalidade
  • Comunicação oral
  • Área Temática
  • GT 6 - Teoria e Epistemologia da Economia Política da Comunicação
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